O que é o crisis mindset?
O que pensa, sente, faz, diz, é resultado da sua mentalidade. Nas crises acontece o mesmo. Para enfrentarmos estas temos de ter a energia certa, a mentalidade certa.
A forma como é encarada a Gestão e Comunicação de Crise vai definir como as pessoas, as equipas e as organizações agem e respondem às situações críticas. Daquilo que aprendi, é essencial:
- Aceitar a natureza do caos;
- Respeitar as emoções;
- Ter uma equipa multidisciplinar;
- Ter monitorização permanente;
- Criar empatia com os stakeholders;
- Ser ágil e saber arriscar;
- Ter uma comunicação rápida e honesta;
- Saber avaliar e aceitar o que não correu bem.
De facto, as vantagens deste mindset são muitas mas destacaria estas três:
- Capacidade de adaptação;
- Capacidade de agir com novos pensamentos, processos, ações;
- Capacidade de criar apesar da interrupção.
Embora estejamos todos a viver a crise pandémica, acredite e apresente ideias. Contribua para uma mentalidade resiliente a crises.
Mas como se cria este mindset?
É um processo. Primeiro, preciso de saber como é que a organização encara a comunicação de crises. Perceber se existe alinhamento interno e externo, ou por outras palavras, qual é o verdadeiro mindset organizacional.
Depois vem uma componente mais formativa que ajuda a delinear uma cultura preventiva de crises, na prática sabermos do que estamos a falar e ter uma linguagem comum em todos os sectores. Só através desta partilha é que é possível entender os potenciais cenários de risco e desenvolver uma comunicação de crise.
Desenhar todo este programa abrange desde a estratégia, a estrutura e a ação. Daí a importância de exercícios quase reais para potenciar competências e desenvolver verdadeiramente uma cultura organizacional. Mas tudo isto pode levar algum tempo? Sim, é verdade.
E quais são as vantagens?
Ter esta cultura preventiva das crises permite maior confiança das equipas para:
- Identificar os riscos em tempo real;
- Saber o que fazer;
- Comunicar contendo a escalada da crise;
- Proteger a marca.
Será que a resposta a uma crise depende do mindset do país?
A cultura de um país pode ser uma influência, negativa ou positiva, na forma como a organização responde a uma crise. Acredito, em parte, nesta convicção. Portugal sempre foi um país onde se defende o desenrascanço, o improviso, o trabalhar em cima do joelho, o depois resolve-se. Se não acredita, pergunte-se se tem uma cultura de gestão e comunicação de crise. Se a resposta for “não”, está em falta!
Existem países em que a gestão e comunicação de crise são valorizadas: EUA, Canadá, Japão, Israel, Austrália. Só para citar alguns. Mas não nos podemos esquecer de que a cultura de um país consiste numa série de fatores, que vão desde o regime político, à religião dominante ou aos níveis educacionais das populações. Onde quer que estejamos temos de ponderar nas vantagens de ter uma cultura preventiva: saber o que fazer e dizer quando a crise rebentar; agir sem o caos da não organização; evitar perdas financeiras e quebras na reputação. Comece já!
NOTA: este artigo não é para pessoas com uma mentalidade presa a modelos do passado, desanimadores ou “apaga fogos”. Qual é o seu crisis mindset?
