O que é o crisis mindset?

O que pensa, sente, faz, diz, é resultado da sua mentalidade. Nas crises acontece o mesmo. Para enfrentarmos estas temos de ter a energia certa, a mentalidade certa.

A forma como é encarada a Gestão e Comunicação de Crise vai definir como as pessoas, as equipas e as organizações agem e respondem às situações críticas. Daquilo que aprendi, é essencial:

  • Aceitar a natureza do caos;
  • Respeitar as emoções;
  • Ter uma equipa multidisciplinar;
  • Ter monitorização permanente;
  • Criar empatia com os stakeholders;
  • Ser ágil e saber arriscar;
  • Ter uma comunicação rápida e honesta;
  • Saber avaliar e aceitar o que não correu bem.
De facto, as vantagens deste mindset são muitas mas destacaria estas três:
  1. Capacidade de adaptação;
  2. Capacidade de agir com novos pensamentos, processos, ações;
  3. Capacidade de criar apesar da interrupção.

Embora estejamos todos a viver a crise pandémica, acredite e apresente ideias. Contribua para uma mentalidade resiliente a crises.

Mas como se cria este mindset?

É um processo. Primeiro, preciso de saber como é que a organização encara a comunicação de crises. Perceber se existe alinhamento interno e externo, ou por outras palavras, qual é o verdadeiro mindset organizacional.

Depois vem uma componente mais formativa que ajuda a delinear uma cultura preventiva de crises, na prática sabermos do que estamos a falar e ter uma linguagem comum em todos os sectores. Só através desta partilha é que é possível entender os potenciais cenários de risco e desenvolver uma comunicação de crise.

Desenhar todo este programa abrange desde a estratégia, a estrutura e a ação. Daí a importância de exercícios quase reais para potenciar competências e desenvolver verdadeiramente uma cultura organizacional. Mas tudo isto pode levar algum tempo? Sim, é verdade.

E quais são as vantagens?

Ter esta cultura preventiva das crises permite maior confiança das equipas para:

  • Identificar os riscos em tempo real;
  • Saber o que fazer;
  • Comunicar contendo a escalada da crise;
  • Proteger a marca.
Será que a resposta a uma crise depende do mindset do país? 

A cultura de um país pode ser uma influência, negativa ou positiva, na forma como a organização responde a uma crise. Acredito, em parte, nesta convicção. Portugal sempre foi um país onde se defende o desenrascanço, o improviso, o trabalhar em cima do joelho, o depois resolve-se. Se não acredita, pergunte-se se tem uma cultura de gestão e comunicação de crise. Se a resposta for “não”, está em falta!

Existem países em que a gestão e comunicação de crise são valorizadas: EUA, Canadá, Japão, Israel, Austrália. Só para citar alguns. Mas não nos podemos esquecer de que a cultura de um país consiste numa série de fatores, que vão desde o regime político, à religião dominante ou aos níveis educacionais das populações. Onde quer que estejamos temos de ponderar nas vantagens de ter uma cultura preventiva: saber o que fazer e dizer quando a crise rebentar; agir sem o caos da não organização; evitar perdas financeiras e quebras na reputação. Comece já!

NOTA: este artigo não é para pessoas com uma mentalidade presa a modelos do passado, desanimadores ou “apaga fogos”. Qual é o seu crisis mindset?

Crio uma cultura de comunicação de crises.

ELSA LEMOS

Sou a Elsa Lemos. Gosto de extremos. De deixar fluir a minha criatividade e de ter tudo organizado. Do caos e da ordem. Da guerra e da paz. No meu trabalho juntei o melhor dos dois mundos: a comunicação e as crises.
A comunicação mais temida é a minha paixão. É o meu desafio diário. Amo preparar os outros para o pior que pode acontecer. Preparar a sua comunicação a todos os níveis porque tudo é comunicação: o que é dito e o que não o é.